O Atlético de Madrid está
longe de ser um clube pequeno, mas, comparado ao gigante Real, fica menor.
Embora ninguém duvide que os colchoneros possuam força o suficiente para ganhar
o título da Liga dos Campeões no próximo sábado, principalmente depois da
conquista do Campeonato Espanhol no fim de semana passado, é desleal a
comparação entre os dois clubes. É como um duelo entre Davi e Golias,
oprimido e opressor.
Os merengues batem o
Atlético em tudo: conquistas, estrutura, tamanho da torcida e valor do elenco.
Um time que busca sua décima Champions com outro que nunca venceu o torneio, e
vive até hoje com o trauma da derrota na final de 1974, para o Bayern de Munique.
Os colchoneros têm feito de tudo para mudar essa história e se desprenderem da
imagem de "time sofredor" nos últimos anos. Desde que Simeone assumiu
o comando técnico do elenco, em 2011, a vida passou a ser mais alegre para o
torcedores do time. Já foram quatro taças levadas para o museu do Vicente
Calderón: Liga Europa, Copa da Espanha, Copa do Rei e Campeonato Espanhol,
conquistado no último sábado, ao superar o Barcelona, no Camp Nou.
Colocar sua bandeira na
estátua de Netuno, gesto simbólico do capitão Gabi após conquistar a Liga, pode
ser considerada como uma façanha e tanto para o Atlético. Esta geração
interrompeu a supremacia e a alternância no topo ente Real e Barça para deixar
sua marca, mesmo com valor de mercado atual estimado em aproximadamente 304
milhões de euros. Não é pouco, mas representa metade dos 615 milhões de euros
em que se avalia hoje o clube merengue.
É quase o caso do primo rico
com o primo pobre. No atual cenário, o menos afortunado vive crescimento, e
tenta se equiparar ao maior para competir de igual para igual. Só que fica mais
difícil quando o vizinho Real Madrid está
entre os clubes mais ricos do mundo, capaz de fazer contratações como a de
Garreth Bale, que custou 91 milhões de euros, e a manutenção de salários como o
de Cristiano Ronaldo, que ganha cerca de 17 milhões de euros por ano. A
diferença na comparação da folha salarial é brutal. Enquanto o Real gasta
aproximadamente 220 milhões de euros por ano, o Atlético paga em torno de 72
milhões aos seus atletas.
Além de serem mais bem pagos, os jogadores merengues
possuem à disposição um centro de treinamento que é o sonho de qualquer
boleiro. Com 1.200 mil metros quadrados, a cidade esportiva do Real impressiona
pela modernidade e tamanho: é equivalente a quase três Vaticanos. Entre hotel
do time principal e instalações da base, estão 10 campos de futebol - as
instalações do Atlético, um pouco mais humildes, possuem cinco. Quando se anda
pelo centro de treinamento de Majadahonda é notável que a estrutura do clube,
um pouco ultrapassada, não condiz com os resultados que o atual elenco tem
conquistado dentro de campo.
Como de costume, o 'primo
rico' é mais popular também. É difícil mensurar o tamanho da torcida de um
clube que transcende o seu país e hoje pode ser considerado um time do mundo.
Mas é possível ter uma ideia olhando para as redes sociais, que hoje permitem
que fãs de qualquer lugar se aproximem da equipe que admiram. O Real Madrid tem
mais de 12 vezes mais seguidores que o Atlético em sua página oficial no
Facebook: 61 milhões contra cinco. A principal conta dos merengues no Twitter
tem mais de 11 milhões de fãs, enquanto os colchoneros possuem 785 mil.
Mas, se torcida joga, neste
quesito, apesar de o Atlético ser menos famoso, dentro de campo, a história é
diferente. Os colchoneros das arquibancadas têm sido fundamentais nas
conquistas recentes do time, jogando junto, e com demonstrações de fanatismo
impressionantes. Os 54 mil lugares do Calderon conseguem praticamente se
equivaler aos 81 mil do Bernabéu, graças ao empenho de cada atleticano nos
jogos do time em casa.
Camisa entra em campo em jogo assim também. As
"toneladas" que a camisa merengue leva ao gramado não se comparam ao
peso da história do adversário. Além dos nove títulos na Champions, os
merengues têm 32 do Campeonato Espanhol e estão acostumados a serem o pesadelo
do Atlético nos dérbis madrilenhos.
Oficialmente, os clubes se enfrentaram 264
vezes, com 143 vitórias do Real, e 64 dos colchoneros. Outras 57 partidas
terminaram empatadas, mas este não poderá ser o resultado final do duelo de
sábado, talvez o mais importante da história do confronto. Algum lado sairá
vencedor, no tempo regulamentar, na prorrogação, ou nos pênaltis. Seja com Davi
ou Golias, o troféu terminará em boas, e merecidas, mãos.
Fonte: Globoesporte.com





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